O LIVRO PERDIDO DE ENKI - 11ª TABULETA - PARTE II

UM AMOR QUE NÃO CONHECE LIMITES 





* Dumuzi, um dos filhos de Enki, apaixonou-se por Innana, a neta de Enlil. O amor foi recíproco, e esta paixão inflamou seus corações a tal ponto, que eles não queriam mais se separar. Existia nesta relação, a possibilidade real de os dois clãs, enfim, unirem-se novamente, acabando com as disputas internas. 


Naquele tempo, Dumuzi, o filho mais jovem de Enki, se apaixonara por Inanna, filha de Nannar-Sin e neta de Enlil, que sentiu-se cativada pelo senhor do pastoreio. 


Segundo esta relatado nas tabuletas sumérias, isso aconteceu pouco depois do Dilúvio, na Plataforma de Aterrissagem, quando Dumuzi e Inanna, estavam presentes à construção de uma das pirâmides idealizadas por Ningihzida, e puseram os olhos um no outro.


A história do amor de Innana e Dumuzi, foi retratada no livro Cântico dos Cânticos, para retratar o amor do rei Salomão pela deusa Asteroth, um dos epítetos de Innana. 


“Que me beije com beijos de sua boca! Teus amores são melhores do que o vinho, o odor dos teus perfumes é suave, teu nome é como um óleo escorrendo, e as donzelas se enamoram de ti...”(Ct 1. 2-3).


Muitas das canções de amor que, a partir de então, narraram o amor durante muito tempo, foram cantadas primeiro, por Inanna e Dumuzi.


“Como açucena entre espinhos é minha amada entre as donzelas. Macieira entre as árvores do bosque, é meu amado entre os jovens; à sua sombra eu quis assentar-me, com seu doce fruto na boca. Levou-me ele à adega e contra mim desfralda sua bandeira de amor. Oh! que estou doente de amor...Sua mão esquerda está sob minha cabeça, e com a direita me abraça….” (Ct 2. 2-6).


Dumuzi era muito amado, e depois da morte de Assar/Osíris, ele passou a ser o favorito de Enki. Mas, seu irmão mais velho, Marduk ficou muito enciumado desta relação com Innana. Não porque Marduk tivesse deixado de amar Sarpanit, mas porque a relação de Dumuzi com Innana significaria a união dos dois clãs e, consequentemente, o enfraquecimento do poder que ele já havia conquistado.


Inanna era muito amada por seus pais, Nannar e Ningal, e seu avô Enlil sentava-se junto à seu berço quando ela era pequena. A jovem "deusa" sempre foi muito formosa, e além de toda a descrição, ela também competia em artes marciais com os heróis Anunnaki. De viagens nos céus e de navios celestiais (naves espaciais) tinha aprendido com o irmão gêmeo, Utu. Aliás, ela mesma recebeu de presente de Anu, uma nave celestial, para que perambulasse pelos céus da Terra. Pode-se dizer que Inanna era uma menina mimada, acostumada a ser paparicada e bajulada, e como toda pessoa com este perfil, muito resistente à frustração. 


No princípio, quando os dois jovens "deuses" se descobriram, ficaram indecisos. Dumuzi pertencia ao clã de Enki; enquanto que ela, pertencia à linhagem de Enlil. Nada maior do que este abismo para separa-los. Entretanto, Ninmah/Ninhursag já havido conseguido estabelecer a paz entre os clãs. O que Inanna e Dumuzi fizeram então, foi aproveitarem essa paz momentânea, para desfrutarem juntos e longe dos outros Anunnaki, o amor que sentiam, amando-se e dedicando-se um ao outro. 


E assim, enquanto nada os atrapalhava, eles passeavam juntos,  trocavam palavras doces e juras de amor, dormiam juntos e agarrados, e deixavam que os corações  conversassem um com o  outro. O amor deles, era lindo! 


“Como um gamo é meu amado... um filhote de gazela. Ei-lo postando-se atrás da nossa parede, espiando pelas grades, espreitando da janela… Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim!...Pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fenda dos barrancos... Deixa-me ver tua face, deixa-me ouvir tua voz, pois tua face é tão formosa e tão doce a tua voz!" ... Meu amado é meu e eu sou dele, do pastor das açucenas!” (Ct 2. 9-16).


Dumuzi rodeou com seu braço a cintura de Innana, Ele desejava tomá-la como um touro selvagem:


_ Deixa que te ensine! Deixa que te ensine! Dizia Dumuzi à Inanna. 


Brandamente, ela o beijou, e logo lhe falou de sua mãe: 


_ Que mentira poderia lhe contar a minha mãe? O que contará você a Ningal? Vamos falar com minha mãe de nosso amor! De contente, orvalhará perfume de cedro sobre nós! 


Os amantes foram ao lugar onde vivia Ningal, a mãe da Inanna. Ningal aprovou o noivo. 


_ Senhor Dumuzi, é digno como genro de Nannar! Disse-lhe. 


O mesmo Nannar deu a boa-vinda à Dumuzi como noivo; Utu, o irmão gêmeo de Inanna, disse: 


_ Assim seja! 

_ Possivelmente seus esponsais tragam verdadeiramente a paz entre os clãs! Disse Enlil à todos. Ninurta concordou. 


Quando foi a vez de Dumuzi falar à Enki, seu pai e aos seus irmãos, sobre o seu amor e o seu compromisso, Enki também pensou na paz através dos esponsais, e deu sua bênção à Dumuzi. 


Dos irmãos de Dumuzi, todos EXCETO MARDUK, se alegraram com a notícia. Ele precisava saber mais sobre os interesses de Innana em Dumuzi.





COMO MARDUK/AMON RÁ SE OPÔS E TRAMOU ACABAR COM A RELAÇÃO, DESENCADEANDO ASSIM, UMA NOVA GUERRA ENTRE OS ANUNNAKI.


Como era costume entre os Anunnaki, Marduk enviou sua irmã Geshtinanna, para que ela perfumasse e vestisse a noiva. Foi quando, ingenuamente, Inanna revelou-lhe o que havia em seu coração, sobre o futuro com Dumuzi.


_ Tenho a visão de uma grande nação, Dumuzi se elevará como um Grande Anunnaki. Seu nome será exaltado sobre os outros, e eu serei sua esposa-reinante. Compartilharemos um status principesco, e juntos, submeteremos os países rebeldes. Eu darei status à Dumuzi, e dirigirei o país retamente! 


Missão dada, missão cumprida!


Geshtinanna voltou e contou à Marduk sobre as intenções de Inanna. Ele se inquietou enormemente e bolou um plano secreto com a irmã.


No dia seguinte, ela foi até à morada de Dumuzi, seu irmão, o pastor. Muito linda, e sensualmente vestida e perfumada, Geshtinanna lhe disse assim:


_ Dumuzi, antes que sua jovem esposa durma entre seus braços, você deve ter um herdeiro legítimo, nascido de uma irmã! 


Cabe ressaltar aqui, que a semente real entre os Anunnaki, é passada de pai para filho, ou seja, um meio irmão e meia irmã podem se casar, desde que não sejam filhos da mesma mãe, por causa do DNA mitocondrial. Portanto, é comum para eles, o casamento entre dois irmãos, filhos de mães diferentes, mas do mesmo pai.


Geshtinanna tocou a mão de Dumuzi, apertou o corpo dele contra o dela. 


_ Irmão meu, eu deitarei contigo! Contigo faremos um par de nosso pai, Enki! 


Assim sussurrou Geshtinanna à Dumuzi, para que ele derramasse em seu ventre o seu sêmen. E assim ele fez, e logo dormiu com as carícias Geshtinanna. Entretanto, durante a noite ele teve um sonho premonitório de morte, e acordou inquieto e assustado, contando o sonho à Geshtinanna. 


_ O sonho não é favorável! Disse-lhe Geshtinanna. Marduk te acusará de me haver violado e enviará emissários malvados, para que lhe prenderem, ordenando que te julgue e te desonre, para desunir a relação com a enlilita (do clã de Enlil)! 


Dumuzi acusou o golpe e gritou como uma besta ferida: 


_ Traição! Traição!



Ele escapou para o deserto do Emush – o Deserto das Serpentes, para ocultar-se dos malfeitores, indo parar no lugar das cataratas, onde as abundantes águas, fazem lisa e escorregadia as rochas.


Então, num descuido, Dumuzi escorregou e caiu, recebendo em seguida, uma avalanche de água que destroçou entre a branca espuma, o seu corpo já sem vida. 


Ninagal, o outro irmão, recuperou o corpo sem vida das águas do grande lago, e o levou até a morada de Nergal, seu outro irmão, e sua a esposa Ereshkigal, que viviam no mundo subterrâneo, sob o Abzu/África do Sul. 


Neste mundo inferior, que era uma mina de minérios que ficava embaixo da terra, eles colocaram o corpo de Dumuzi sobre uma laje de pedra. O lugar era quente, mas havia ali, uma tecnologia que poderia ser usada para ressuscitar Dumuzi. 


Como não conseguiram, cuidaram do corpo dele e o enfaixaram (surge aí a tradição da mumificação, mas também a tradição dos judeus de cuidar dos mortos – pesquisar Chevra Kadisha). 


Quando Enki soube do que tinha acontecido, rasgou sua roupa, e jogou cinzas sobre o corpo. (prática assimilada pelos homens daquele tempo e, ainda hoje, praticada pelo povo judeu, quando estão de luto).


_ Meu filho! Meu filho! Lamentou-se Enki por Dumuzi. Qual pecado hei cometido para ser assim castigado? Perguntou em voz alta. 


Quando, através de Geshtinanna, se descortinou a veracidade do acontecido, a angústia de Enki se fez ainda maior: 


_ Agora, Marduk, meu primogênito, também sofrerá por sua própria ação! 


Para piorar a situação, Inanna, que chorava pelo desaparecimento e a morte do Dumuzi, descobriu que ele fora levado ao mundo subterrâneo e foi até lá, onde fez um ritual, que deu origem à tradição da vida após a morte ou ressurreição dos mortos. Entretanto, ela foi confrontada por sua irmã, Ereshkigal, que a tratou muito mal e a aprisionou, considerando que ela havia ido lá para seduzir Nergal, seu marido


Com o desaparecimento de Inanna, seu pai, Nannar-Sin, procurou Enlil, que mandou uma mensagem à Enki. A está altura, ele já sabia dos fatos e fez de tudo para recuperar Inanna, que estava quase morta, na prisão de Ereshkigal no Abzu. 


Inanna pediu então, que os enviados de Enki resgatassem também o corpo de Dumuzi, e o lavassem com água pura, para ungi-lo com doce azeite, e envolvê-lo depois, em um sudário vermelho (quem já viu esta cena em algum filme retratando Jesus?), pondo-o sobre uma laje de lápis lazúli, lavrando para ele, um lugar de descanso nas rochas, para esperar ali o Dia do Surgimento (ressurreição). 


* Cabe ressaltar aqui, que os Anunnaki sabiam como ressuscitar algumas pessoas mortas, dependendo de como haviam morrido. Talvez, não estivessem mortas, como Innana mesma não estava e pôde ser resgatada com vida, ao contrário de Dumuzi. Esta história também lembra a história de Jesus.


* Na bíblia hebraica, e também na versão da Bíblia de Jerusalém, existe uma passagem em Ezequiel, que fala das mulheres que pranteavam Tammuz. 


“Conduziu-me então à entrada do portal do Templo de Iahweh, que dá para o norte, e eis ali as mulheres sentadas a chorar por Tamuz.” (Ez 8.14). E explica no rodapé: Tammuz, era uma divindade assírio-babilônica, de origem popular, célebre, sob o nome semítico de Adônis (Meu Senhor) na mitologia mediterrânea. Todo ano, no mês de Tammuz (junho/julho), por ocasião da residência do deus dos infernos (Nergal), celebrava-se o seu luto.


Depois disso, Inanna se dirigiu à morada de Enki, exigindo a morte de Marduk, o culpado. 


_ Já houve suficiente morte! Disse-lhe Enki. Marduk foi o instigador, mas não cometeu assassinato! 


Quando Inanna soube que não haveria castigo para Marduk, ela foi ter com seu pai, Nannar-Sin, e com seu irmão, Utu/Shamash, elevando seus lamentos ao alto céu: 


_ Justiça! Vingança! Morte a Marduk! Pediu. 


Na morada de Enlil, se reuniram seus filhos, Nanar-Sin, Ninurta e Ishkur; seus netos, Inanna e Utu, para discutirem as estratégias da guerra que deflagraram contra Marduk. 


Utu lhes informou sobre a troca de palavras secretas entre Marduk e os Igigi.

 

_ Marduk é uma serpente maligna, devemos libertar a Terra dele! 


Enlil concordou. 



A partir deste episódio, Inanna enlouquece e muda completamente o seu comportamento, influenciando seus irmãos e pai, a se vingarem eternamente de Marduk e da sua descendência.


Assim, depois de menina doce, Inanna torna-se uma guerreira alucinada. 



Em alguns lugares, ela recebe o nome de Asteroth, a mesma que se relacionou com o Rei Salomão. Aliás, foi a sabedoria de Salomão, muitas vezes criticada por se relacionar com outras mulheres, o que lhe garantiu muitos anos de paz, pois  sua intenção objetivava estar de bem com todos os povos que cercavam seu reino. Além disso, ele sabia que cada povo que se tornava seu amigo, seguia de um desses “deuses” Anunnaki. 


Depois de Salomão, os povos vizinhos tornaram-se hostis novamente, e Marduk (Iraque) passou a ser desde sempre, um opositor de Enlil (Israel). Os dois países até hoje estão em estado de guerra e nunca celebraram a paz, desde a criação do novo Estado de Israel, em 1948.


OS EPÍTETOS DOS DEUSES

* Os epítetos são para uma melhor fixação dos nomes, quando lerem sobre outras culturas. Assim, a ideia é que ativem a memória quando ouvirem sobre esses deuses.

1. Dumuzi/Tammuz/Adônis/Dionísio/Mitra;

2. Enki/Satanás/Ptah/Vishnu;




3. Inanna/Ishtar/Asteroth/Durga/Vênus/Afrodite/Ártemis/Iansã;

4. Enlil/Yaweh/Brahma;

5. Ningihzida/Toth/Mercúrio/Hermes/Esculápio/Ganesha/Quetzacoaltl;

6. Assar/Osíris;

7. Marduk/Amon/Rá/Baal/Merodaque/Krishna;

8. Ninurta/Arcanjo Miguel/Thor/Zeus/Ogum/Indra/Xangô/YHWH




 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O LIVRO PERDIDO DE ENKI – 12ª TABULETA - PARTE I

O LIVRO PERDIDO DE ENKI - 8ª TABULETA - EXPLICANDO A HISTÓRIA DE KA-IN (CAIM) E ABAEL (ABEL)

O LIVRO PERDIDO DE ENKI - 6ª TABULETA - CRIAÇÃO + EVOLUÇÃO